Coritiba Foot Ball Club – 100 Anos -1909-2009

Coxa 100 Anos

Há exatos 100 anos, um grupo de jovens descendentes de alemães foi até Ponta Grossa pra jogar uma partida de futebol.

Esse foi o jogo inaugural do primeiro clube de futebol do estado do Paraná, que nas décadas seguintes se tornaria o principal e mais vencedor clube do estado, conquistando a hegemonia no seu estado natal, e se tornando o primeiro clube paranaense a se tornar campeão brasileiro.

Para homenagear o centenário Coritiba Foot Ball Club, que hoje completa 100 anos, segue abaixo um texto de minha autoria que já foi publicado no site Coxanautas, e também no hot-site Coxa 100 Anos.  Esse texto conta a história de um torcedor Coxa que nunca morou na cidade de Curitiba: eu.

Parabéns, Coritiba.  Que os próximos 100 anos sejam tão (ou mais) gloriosos que os primeiros.

Um Coxa “Catarina”

Meu nome é Ricardo, e nasci em Japira, no norte do Paraná. De lá fui para Turvo, no sul de SC, depois para Medianeira, no oeste do Paraná, e já aos seis anos de idade, cheguei em São José-SC, cidade que, assim como São José dos Pinhais, é vizinha da capital do estado.

Meu pai é de Ibaiti-PR, e Coxa-Branca de quatro – costados, assim como meu avô, que veio de São Paulo, onde torcia para a Portuguesa de Desportos, para o norte do Paraná, onde começou a simpatizar e torcer pelo Coxa. Com uma linhagem dessas, e sendo paranaense de nascimento, não existia outra opção para mim: ser Coxa-Branca já estava nos meus genes.

Porém a vida de um Coxa-Branca que mora em SC não é fácil. Tudo bem, hoje em dia existe o pay-per-view, que me permite acompanhar o Coxa “de perto”, mas isso é um fenômeno recente, uma facilidade tecnológica que não existia em minha infância.

Quando criança, jogos do Coritiba, pela TV aberta eram mais raros que títulos dos poodles. À exceção, obviamente, foi o Campeonato Brasileiro de 1985, onde pude acompanhar com meu pai, aos oito anos de idade, o título do Verdão pela rede Globo. Lembro-me até hoje de ficar até de madrugada assistindo o jogo e, após as penalidades, ir junto com meu pai pra fora de casa soltar foguetes, provavelmente os únicos da cidade.

No resto, acompanhar o Verdão era só pelas ondas curtas da Rádio Clube Paranaense. Lembro-me saudoso até hoje de ouvir as excelentes narrações de Lombardi Jr. Com ele acompanhei todo o Campeonato Paranaense de 89, quando fomos campeões de forma espetacular.

Em 90, após acompanhar o campeonato inteiro pela rádio, fui até o majestoso Couto Pereira ver o segundo jogo da final. Não seria a primeira vez que pisaria no nosso lindo estádio: meu debute foi em 88, pela Copa União, onde vi o Coxa ganhar de 2×0 do futuro campeão Bahia. Voltaria em 89, para ver o Coxa perder de 3×1 para outro Verdão, o Palmeiras, em um jogo onde brilhou a estrela de um goleiro iniciante, mas que ainda faria muito sucesso pelos gramados do Brasil: Velloso.

Voltando à final de 90, foi uma emoção muito grande ver, pela primeira vez, o Couto Pereira lotado em um clássico decidindo o campeonato estadual. A beleza proporcionada pelas duas torcidas, em especial pela da casa, proporcionou ao jovem Ricardo Antunes da Costa, então com 11 anos incompletos, um espetáculo que jamais será esquecido.

Infelizmente perdemos o título, ao permitir o empate do time lá de baixo, mas o time do Verdão saiu aplaudido de campo, pois foi o melhor time do campeonato, apesar de ter sido Vice.

Depois do nosso rebaixamento via canetada em 89, e a perda do título de 90, começaria a idade das trevas do torcedor Coxa-Branca. Principalmente para um Coxa residindo em Santa Catarina, em uma época que o estado não possuía times na primeira divisão do futebol nacional. Nesse período tive que aturar “torcedores” do Flamengo, Vasco, Grêmio, etc., que faziam questão de menosprezar meu time, então na segundona, sem jamais ter visto seus times no estádio.

Lembro-me de acompanhar o Brasileiro da série B em 1991, novamente pelo rádio, afinal naquela época não tinha nenhum time “grande” do Rio ou de São Paulo na segundona, o que fazia com que o campeonato fosse desprezado pelas emissoras de TV.

Naquele ano, o Coxa vinha com tudo, e tinha tudo para subir à primeira divisão. Nas semifinais, decidiu a vaga como o Guarani de Campinas. Lembro-me que o Verdão venceu o primeiro jogo em casa, por 1×0. Estava acompanhando o jogo de volta, em Campinas, pela Rádio Clube. O Guarani havia aberto o placar no final do primeiro tempo, o que levava o jogo para as penalidades máximas.

No segundo tempo, para minha explosão de alegria, Chicão faria aquele que seria o gol de empate do Verdão. A alegria, porém, foi efêmera, pois o gol foi anulado pelo juiz José Roberto Wright.

Lembro-me na ocasião de que, na Rádio Clube, foi unânime a opinião de que o gol havia sido invalidado erroneamente: Chicão estaria em posição legal. Porém, acostumado com os bairrismos das transmissões por rádio, fiz questão de me certificar, e sintonizei uma rádio paulista no velho rádio de ondas curtas de meu pai e, para a minha surpresa, a opinião era a mesma. O locutor paulista afirmava que o Coxa havia sido prejudicado no jogo de Campinas.

Com a derrota por 1×0, o jogo foi para os pênaltis e a classificação acabou nas mãos do Guarani. Depois disso foram mais alguns anos na segundona, e mais alguns vice-campeonatos estaduais. Porém minha esperança por dias melhores nunca diminuiu.

Em 95 acompanhei a campanha do vice-campeonato da segundona. Novamente pela rádio, com exceção do jogo contra o Central de Caruaru, que presenciei no Couto Pereira, onde ganhamos de 4×2. Em 98, na nossa espetacular campanha no Brasileirão, estive no 2º jogo das quartas de final, onde empatamos em 0×0 com a Lusa. Já o terceiro jogo, eu tive que acompanhar o final pela TV, após o jogo do Cortinthians. Lembro-me até hoje do arrepio que senti, quando a Globo mudou a imagem para o Couto, e pude ver a linda festa da torcida alviverde, quando o Coxa vencia por 2×0 e garantia a classificação para as semi-finais. Porém, infelizmente, logo a seguir a Lusa empataria a partida, e ficaria com a vaga.

Em 99, saímos da fila, novamente pelas ondas do rádio. Desta vez, porém, a confiança no time era tão grande que, mesmo após o Paraná abrir 2×0 no último jogo, eu não desanimei, pois sabia que o Coxa iria buscar aquele placar, e foi o que aconteceu.

Desde então tenho tido alegrias e decepções com meu time, mas sem deixar de amá-lo jamais. Sempre que posso vou acompanhá-lo ao vivo, seja em Curitiba ou aqui em Santa Catarina.

Uma ferramenta que facilitou e muito a minha vida de torcedor, foi a internet. Meu primeiro contato com a grande rede foi em 95, quando cursava Ciências da Computação na UFSC. Naquela época a web ainda estava engatinhando, e meus colegas começaram a desenvolver sites amadores para seus respectivos clubes.

Após tentar achar um site do Coxa, e não ter sucesso, decidi criar um site em homenagem ao maior clube do Paraná. O site era muito simples, não tinha nenhuma imagem, apenas textos retirados das Revistas Placar e Paraná em Páginas.

Mantive o site até aparecerem outros melhores, que representavam com maior dignidade a grandeza do Coritiba. Assim, com sensação de dever cumprido, retirei do ar aquele que, no meu conhecimento, foi o primeiro site do Coritiba da web.

Ainda na Internet, criei, por volta de 96, na antiga Esquina-das-Listas, uma lista do Coxa. Conseguimos reunir um bom número de torcedores até que, por meio de um dos integrantes da lista, ficamos sabendo de outra lista do Verdão que possuia ainda mais integrantes.

Migramos então todos para a nova lista, que depois de alguns anos viria a se organizar e a se tornar a lista dos COXAnautas.

Bem, esse texto foi um pouco longo, afinal são 33 anos de história de um torcedor Coxa-branca que, ao contrário da grande maioria de “Coxas”, nunca morou em Curitiba, mas que nem por isso deixa de ser Coxa-Branca, eternamente.

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659 Responses to “Coritiba Foot Ball Club – 100 Anos -1909-2009”

  1. Paulosé says on :

    Ué, você está postando aí em Amsterdã? Como está a Holanda ? Dê um abraço para o Vand der Ley…

 

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